Essa é a história de como eu fui expulsa do paraíso. Esse é o final trágico do meu conto de fadas pessoal. O conto de fadas em que a princesa, enganada pelo falso príncipe encantado, vê o seu castelo construído em cima da areia ruir e sua vida se tornar uma história de terror. A princesa no final dessa história não é salva pelo príncipe, mas morta por ele. Infelizmente, foi assim que eu aprendi que a vida não é como nos contos de fada da Disney.
Despertei do sonho. Entre a realidade, o delírio, o passado, o presente, a fantasia, a decepção... várias peças nesse grande tabuleiro que é a vida e o amor, um anjo aparece. Mas não é um anjo comum. Era um anjo que exalava perigo. Um anjo mau, errado, solto, insolente e ... sedutor. Um anjo com cheiro de poesia de bar, música ruim, noite fria, maresia e cigarro.
Talvez sejamos duas almas devassas que estavam destinadas a se encontrar. Um destino trágico, meio viciante. O acaso mais certo que poderia ter acontecido. De onde vem essa conexão? Talvez das estrelas. Talvez dos céus. Talvez do caos. Talvez desse lugar estranho onde desejo e paz se confundem.
Só sei que, com você, minha alma descansa, mesmo você vivendo ligado no 220. A angústia da solidão já não me perturba tanto, e a gente nem sabe nomear aquilo que sente. Parece que a alma encontra, enfim, algum tipo de lar. Paz. Aconchego. Refúgio. Irônico, como tudo o que tem acontecido desde que você entrou em minha vida. Justamente você, o errado, o oposto de mim, o devasso, o pecador, a materialização de tudo aquilo que eu jamais imaginei querer. O erro bonito que eu quero cometer.
Todas as regras que eu tinha, você quebrou. Todas as barreiras que eu ergui, você atravessou. Você entrou no meu coração sem pedir licença, sem bater à porta, sem autorização. E agora habita minha mente, meu desejo e essa parte de mim que eu achava que já tinha sido enterrada junto com o meu antigo conto de fadas.
Lembro do seu cheiro, essa mistura de perfume, nicotina e álcool. Lembro do seu sorriso, do seu abraço, da sua voz, da maneira como você sorri no meio de um beijo. Lembro de como me envolve nos seus braços, do calor do seu corpo, da forma como me olha, como se enxergasse em mim alguma coisa que nem eu mesma sabia que ainda existia.
Você deixou marcas pelo meu corpo e pela minha alma. Sinto a ternura do seu coração, mesmo quando ele bate rápido demais. Mesmo quando você dá mais um trago no cigarro e a fumaça desaparece no ar, como se tudo em você fosse contradição: perigo e cuidado, caos e abrigo, erro e salvação.
Não, você não é nem de longe aquilo que eu sempre sonhei.
Mas talvez seja por isso que eu te queira tanto agora.

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