E mais
uma vez, tudo se repetia na minha mente num eterno flashback de emoções e
momentos. Viajante nos meus planos e idealizando coisas, repetia novamente, o
ato involuntário de estar sentada em um coletivo inquieta, com a iminente chegada
ao destino que me aguardava. Apoiei a cabeça na janela e assim, pude apreciar a
paisagem em movimento. Caos e soberania: era tudo que eu avistava nas ruas do
centro daquela cidade. Depois de alguns minutos, me peguei olhando e refletindo
sobre o aspecto urbano e triste das paredes pichadas de um lugar que não é nada
semelhante com a calmaria e serenidade da minha pacata cidade natal.
Sair
dois eixos dentro deles, sair da linha e continuar parado nela. Nunca pensei
que poderia encontrar outro mundo neste. Estive então, por anos, muito
enganada. Desci do ônibus na Central do Brasil, com o coração cheio de
esperança por mais um caminho a trilhar. O salto batia no chão, fazendo com que
todos notassem a minha passagem pelo caminho. Senti-me tímida por alguns
instantes, amedrontada com novos conceitos adquiridos e de certa forma,
esperançosa. Ao caminho, vi todos ali, seres humanos iguais, mas diferentes
também. O que lhes diferia eram coisas mais concretas, não só a sua
personalidade, mas a sua posição social e existencial no mundo. O seu emocional
expresso em seus olhares turvos.
Apesar
de surpreendida com as injustiças e coincidências presentes ali, ao longe
avistei o prédio com um relógio grande bem lá em cima. Estava marcando exatamente
15 hrs e 35 min de uma quinta feira nublada e posteriormente, chuvosa. Não pude
errar o caminho, e foi neste momento que me juntei aos mais de 1001 de corações
presentes naquele lugar. Eram
pessoas de todas as raças, cores, sonhos e amores. De inúmeros interesses e de
inúmeras convicções. Uma verdadeira máquina de humanidade. Posso jurar que
mesmo que buscasse olhar e focar em outra coisa, só via as pessoas. Eram muitas,
várias delas . Estavam todas correndo de um lado para o outro, muito rápido e
quase mecanicamente. Pareciam mais robôs. Naquele momento eu só queria apertar
o botão de pausar para analisar cada coração agitado, cada mente ansiosa e cada
olhar desesperado.
O
que será que se passava naqueles corações? Quais seriam as suas angústias? Seus
medos? Seus amores? Suas metas? Seus ideais? Essas perguntas e muitas outras se
transformavam nas minhas indagações a todo o momento enquanto procurava a
segunda condução para chegar ao meu destino final. Ali, pude assim imaginar
coisas variadas: talvez algumas daquelas pessoas estavam sonhando em ir para
casa e dormir. Outras, em ver sua família, sair com amigos, ir ao shopping, salão
de beleza ou ao metrô. Algumas até chegariam para algum compromisso atrasadas e
para outras, talvez, seria o último dia aqui no mundo dos vivos. Meus olhos
buscavam a serenidade, mas só viam a agilidade e a correria das pessoas. Eu não queria copiar os seus movimentos, mas era inevitável não se adequar nesse ambiente. Corri, ainda
que contra a minha vontade.
E foi assim que cheguei,
em meio a todos os deslumbres, ao meu destino final, mas com algo diferente nos pensamentos. Acolhendo uma
nova perspectiva, um novo olhar sobre as coisas e sobre as pessoas. Um novo olhar sobre o mundo. Sabe, parece estranho enxergar profundidade em coisas
superficiais. Mas o mundo que nos cerca, é de fato, uma infinita fonte de
conhecimento sobre coisas nas quais, livro nenhum consegue nos passar. A
abstração não é o caminho que quero trilhar. Ser diferente e voar, mas com os pés no chão. Eu não
queria ser mais um triste e agitado daqueles mais de 1001 corações na Central do
Brasil. Meu coração tinha sede de ver mais, de saber mais e de ser mais humano,
apesar de todos os desafios. Sonhar mais, mas concretizar em dobro. Lutar,
apesar de todas as injustiças e sobretudo - persistir pela vida . Apesar de
todos os clichês.

4 Comente!
Concordo, Sa... cada um tem um conhecimento peculiar que livro algum pode compartilhar. E os desafios são os que nos move para a realização de sonhos. Lindo texto... beijos e tudo de bom!
ResponderExcluirLindo o texto, Parabéns Sabrina!
ResponderExcluirBeijos
www.chadatarde.com
Gostei muito do seu texto.
ResponderExcluirOi Sá
ResponderExcluirQue texto legal. As vezes eu também fico vendo as pessoas e pensando no que elas estão pensando kkkkkkkk.
Bjão da tia Lu. Fique com Deus!
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