Ensaio sobre a morte

18:53



Malditos: o destino, eu e você. Das inúmeras coincidências dessa vida, nosso encontro foi a pior delas.  Entramos num caminho sem volta. Aliás, eu entrei num labirinto sem saída. Eu nunca tive medo de ser vulnerável. Não sou boa em esconder as coisas, então, é fácil notar em mim um alguém frágil. Isca perfeita. Naquele momento, eu não sabia nem quem eu era direito. Na verdade, já estava perdida há tempos. Mas você , ao contrário, sabia muito bem o que queria. Você sabia quais eram as suas intenções - as piores possíveis. Tanto investimento, tanta atenção. Tantas horas no telefone, tantos convites, conversas. Pouco a pouco, você cativou em mim um sentimento único e sincero. Ali, eu já não era mais quem eu costumava ser.

Desde o princípio, eu percebi que na minha vida não havia espaço pra alguém como você. Você jogou sujo. Você usou e abusou da minha principal fraqueza, a bondade. E eu, ignorando completamente o riscos, caí nas suas armadilhas. Eu te encaixei onde nem tinha encaixe. Você ocupou espaços que nunca deveriam ter sido seus.  Como eu não pude enxergar?  Até o final, quando eu já não conseguia mais respirar  e quando você já havia consumido todos os meus pensamentos, meus sentidos e a minha auto-estima.  Ali, naquele exato momento, eu permitia, decretava e assinava a minha sentença de morte.

Levianamente, você decidiu, então, mudar as suas estratégias. Você começou a não alimentar as expectativas criadas. Tarde demais. As expectativas já estavam bem altas. E quanto maior a altura, mais barulho faz a queda. Caindo do precipício, eu demorei muito pra notar que todo o estrago já tinha sido feito. Despretensiosamente, meu coração estava partido. Você destruiu aquilo que eu havia de melhor. Como eu pude permitir? Não sei. Ali, foi quando tudo começou a acabar para mim.

Eu não sei explicar como isso tudo aconteceu. Respirando com a ajuda de aparelhos, totalmente desnorteada, eu fiquei sem saber o que fazer. Aos poucos e com toques de crueldade, você me feria e mostrava sua verdadeira face. Tão de repente quanto a sua chegada, foi a sua partida. Você me apagou e sumiu. E cada vez mais, eu fui ficando sem ar. O que sobrou de mim, agora, são somente algumas partes quebradas de alguém que tinha o costume de se deixar cativar. Os restos mortais de alguém que acreditava muito em tudo e em todos. Que acreditou em você. Doeu . Dói. Você só causou dor. Você deveria saber de tudo isso, mas você nunca quis saber nada sobre mim. E foi assim que o inevitável aconteceu. Você me matou. E ali, eu morri.

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